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domingo, 22 de agosto de 2010

Pânico no cinema!

Gente do céu, que aperreio... Resolvi ir ao cinema com meu amor e um casal amigo dele no sábado. Chegamos em cima da hora, minha carteirinha não foi aceita, a ex do meu namor apareceu e se jogou em cima dele e por fim quando entramos na sala já estava escuro. Ah!esqueci de dizer o principal, estava sem minha bengala. O Marcelo quis apressar o passo, mas é impossivel pra mim. Procuramos duas cadeiras e adivinham onde tinha vaga? Na última fila, lá lá em cima. E é claro, com um escadaria da Penha na frente. Só tinha aquelas luzinha de sinalização, que para mim não servem de nada. O Marcelo foi desbravando as escadas e eu agarrada na camisa dele. No segundo degrau, eu virei o pé. Me recompus e tentei me manter sempre no centro daquelas luzinhas. Dai o Marcelo quase cai. O desespero já aumentou. Quando chegamos as cadeiras a moça disse: Tá quebrada! Meu mundo cai e quebrou! Quando dei de cara com as escadas novamente, me apavorei. Eu não vi nem as luzinhas de tanto medo. Travei! Fiquei parada uns minutos e continuei meu calvário. Na metade da escadaria, não dava mais. Eu estava tão apavorada que eu já via a queda, a prótese quebrada, a cirurgia e tudo aquilo que aconteceu se repetindo. Tive vontade de gritar, pedir ajudar, mas não sai nada. Um choro preso, contido. Não sentia mais as pernas. Tentei me controlar, contei ate 248625, respirei, fiz todas as "macumbinhas" que lembrei. Consegui descer, ainda não sei como. Quando achamos as cadeiras e sentamos, eu chorei copiosamente. O Marcelo ainda não tinha entendido o porque, ele me abraçou e ficou tão desesperado quanto eu. Depois que desabafei consegui parar de chorar. E o filme? Perdemos uma meia hora nessa confusão. Era um do Leonardo de Caprio. Agora me digam, no cinema de vocês tem local para deficiente, tem corrimão ao lado das escadas?
Nunca mais entro em um cinema com as luzes apagadas, foi a pior sensação do mundo! Mas eu sobrevivi : D

Beijos protéticos :****

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Finalmente chegou!!!

Boas notícias agora, boas noticias sempre! Finalmente, depois de dois meses e dezessete dias meu possante chegou. Fui a concessionária correndo pra ver meu bixim, chegando lá o gerente disse que ele está em outra concessionária (últimos ajustes). Na hora fiquei P. da vida, tinha levado ate a câmera pra tirar foto e mostrar a vocês. Mas pelo menos já tá em Fortal!Na terça, vou levar para adaptar, daí são dois dias. Na sexta, já vou dá uma voltinha, se a coragem permitir :D Porém, uma coisa me surpreendeu. De acordo com a lei eu tenho isenção de IPI, ICMS e IPVA. Fui isenta dos dois primeiros, mas do IPVA não. A explicação que me deram foi que o IPVA só é isento pra cadeirantes, mas não é isso que têm escrito em tudo que leio. Olha só o que diz: A isenção de IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) é concedida APENAS PARA DEFICIENTES HABILITADOS A DIRIGIR SEU PRÓPRIO VEÍCULO. Em nenhum momento, se restringe a cadeirantes! Como a gente não tem "reaus" sobrando e preciso do carro para trabalhar, vamos pagar e entrar na justiça com defensor público. Demora um tantim, mas o importante é não deixar um direito seu ser anulado. Se alguem souber de algo que possa acrescentar a esssa situação, manda aí. Vou procurar outras fontes!
Ah! Esqueci de dizer, resolvi mudar o visual.Um ciclo está se fechando,tinha que começar um novo com mudanças.Fiquei loirona! No começo estranhei bastante, agora tô me sentindo :DDDD Olha só:


Olhem só o cabelo, esqueçam a cara de retardada!

Beijos protéticos :****

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Olha eu aqui : P !!!

Oi pessoal, que saudade! Como vocês estão? Dei uma sumida, mas as coisas estão muito corridas. Pensei que essa estória de monografia fosse pura organização de quem escreve... Pesquisei e li com antecedência, escrevi logo em seguida e fui terminar ontem. Depois de três correções e muito tira e coloca. Hoje, entreguei as três versões, um passo a mais. Amanhã é o último dia de estágio, finalmente 510 horas. Estou mega ansiosa, nem respiro direito. Eu consegui, aliás nós conseguimos! Vocês me acompanharam durante esse tempão : D A defesa propriamente dita será dia 31 de agosto, as 15:45. Já surgiram algumas propostas de emprego, estou analisando. Mas acho que desempregada mesmo não fico, é um bom começo.
Em um dos meus raros momentos de sociabilização, fui ao shopping comprar presente para o pai do meu namorado. Compramos um sapato, camisa e fomos ao caixa. Por coincidência, minhas pernocas resolveram funcionar direito, tava mancando bem de leve. É claro que peguei a fila preferencial... Poucos instantes depois, uma mulher de 30 a 40 anos, me cutucou:
- Você ta na fila prefenrencial?
- Sim
Acho que ela esperou que eu fosse sair dali ou me justificar. Eu não fiz nada disso. Ela ficou doida de raiva e teve que esperar. A moça do caixa recebeu as compras e disse:
- Esse caixa é especifico
- Para idosos, gestantes e deficientes fisicos, eu completei.
- Mas, como?
- Tenho uma prótese
Minutos de tensão (da caixa)...
- Pode passar
Entreguei, paguei e saí. Quando passei, o povo ficou comentando. Pra maioria das pessoas, deficiência se resume a para e tetraplegia ou aqueles que tem paralisia cerebral. Outras dificuldades se encontram na transição de aparentemente "normais" e deficientes. Isso não me incomoda, o engraçado é ter que provar pra uns que sou deficiente e pra outros que sou normal. Eles podiam se decidir ou aceteiar que todos tem aptidões e limitações. Acho que nessa classificação todo mundo se encaixa.
Beijos Protéticos :****

domingo, 25 de julho de 2010

Bons ventos!

Hoje foi um dia especial, eu e o Tchelo fomos a praia. Até aí, nada demais, mas essa foi a primeira vez que entrei no mar depois que coloquei a prótese. Eu sempre ía, mas entrar mesmo... Ficava paquerando com o mar, criando mil atalhos pra chegar até ele. Areia fofa é bem complicado de andar, depois as ondas e as ondulações dentro do mar. Tinha medo de cair, da prótese desmontar e ninguém queria entrar comigo (medo de uma dessas coisas acontecerem). O Tchelo foi bacana, conseguimos passar pela areia sem tanto sufoco e não entramos direto no mar. Quando a maré está baixa, forma-se pequenas piscinas, normalmente é raso e sem ondas. Começamos por ai!Inventei de mergulhar e engoli um tantao de água. Mesmo assim adorei!
 
 
 
Em vez de um delicioso caranguejo, o Tchelo quis pedir ostras. Ele adora experimentar e eu estou reaprendendo a arriscar e experimentar. Não é tão ruim quanto eu pensei, mas é ruim. Eu desisti e ele comeu sozinho. Essa foi a primeira vez que o vi comer sem vontade.


Mudando de assunto, mas continuando no namorado... Eu sempre falei que a novela (não lembro mais o nome) que tinha a Luciana não era fidedigna a vida que temos, afinal ela vivia numa redoma de vidro e com tudo que necessitava, além de outras coisitas. Agora pasmem, foi a bendita Luciana que deu uma mãozinha no meu namoro. Na verdade no começo dele! Ontem o Celo me falou que vendo a Luciana percebeu que eu podia fazer tudo, assim como outra pessoa. Foi uma espécie de desmistificação, aquela estória de deficiente "bem pesada" foi quebrada. E estamos juntos e muito felizes a quase 2 meses!
Ah!Vivi uma cena de filme no sábado... Estavamos no calçadão por volta das 22 horas, caminhando, "sem lenço, nem documento" e escutamos uma música antiga, de um clube próximo. O Celo simplemente me chamou pra dançar e ficamos lá, dançando em pleno calçadão. Não consegui ver ninguém naquela hora, meu momento mágico da semana!
Na faculdade está indo tudo bem, estou há duas semanas na anestesia/cirurgia. Na verdade, descobri que não nasci pra cortar nada, mas amo anestesiar. E, talvez, eu me especialize nisso. A monografia está quase pronta, correções básicas. A cadeira de sociologia não se torna um saco se você participar um pouquinho da aula.
No final, tudo vai dá certo!
Espero que vocês estejam bem também!
Saudades!
 
Beijos protéticos!

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Vestibulando...

E eu que pensei que nunca mais escreveria esse nome, mas ouvi uns dados que me deixaram boba... Estava eu indo pra UECE com o Del, quando ele comentou sobre vestibular. Eu dei logo um pulo, pedindo pra ele não pronunciar esse nome. Aff, ô tempinho escroto!Ele, então resolveu, falar a parte boa da estória:
- Segunda-feira estamos de folga : D! Ninguém, além dos vestibulandos, podem entrar no Campus.
- Uma felicidade tomou conta de mim. E o Iuuupiiii sai sem querer.
- Tem 10.000 concorrentes, sabem quantos "deficientes"?
Eu sabia que eram poucos, mas não uma quantidade ínfima.
- 1.000?
- Tá doida é? 
Pensei que fosse mais, pelo protesto! Chutei, chutei e nada. Desisti!Adivinhem vocês quantos deficientes inscritos? Só 25  e desses alguns vão faltar a prova por não ter como chegar a UECE. Fiquei besta, mas o problema não começa aqui, vem de pequeno. Quando a pessoa nasce com alguma limitação, os pais por falta de informação, superproteção ou até os dois juntos isolam a criança do mundo real. Muitas vezes, estes não vão a escola e quando vão passam por todas as dificuldades que nós conhecemos bem, falta de estrutura para recebe-lo, os professores/orientadores não sabem lidar com a criança e o preconceito de todos. Criança é bacana, mas tem uns monstrinhos... Nossa senhora!Muitos desistem diante de tanta adversidade, e os que continuam esbarram com mais problemas. Os "malacabadinhos" tem que se rebolar pra chegar ao ensino médio. Qaundo chegam a faculdade, pensam que as coisas serão melhores, mas tudo que acontecia quando criança, continua, talvez de uma forma mais discreta, mas continua. Estamos formando crianças grandes e não adultos!Formar bons cidadãos está apenas no marketing das escolas. O importante são números, quantos passaram pra Medicina, Direito, Odonto. Muito triste essa realidade!
Essa semana vou dar um tempinho por aqui, tenho que terminar a mono!Também não estou nos meus melhores dias. Calma, tudo está bem!É só uma crisezinha básica... Bipolar tem dessas!Ah!amanhã vou para uma entrevista de emprego, quero muito trabalhar, mas tô pra baixo e fico sem estimulo.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Pra Cá

- Pra cá, Camila!
- Pra cá?
- não, mais pra cá!
- Pra cá, pra onde? Pra cá pra cima, pra baixo, direita ou esquerda?
- Dá isso aí...

Esse foi o diálogo mais instrutivo da minha vida. Hoje, finalmente coloquei a mão na massa, meu batizado.Fiz duas cirugias e auxiliei em duas.E o mais importante, não matei ninguém!Ah!o "diálogo" acima era para definir o local especifico de cada ponto.Foi um dia engraçado pra mais de metro. Além das minhas pernocas precisarem de uma ajuda, perdi grande parte da audição durante a quimioterapia. Aprendi, aos poucos,a ler os lábios das pessoas, associo ao que escuto e chego a um resultado. Normalmente, dá certo!Hoje foi complicado, todos usam mascáras pra evitar contaminação, ou seja, leitura labial ZERO. Escuto pouquinho e quando as palavras são parecidas (e muitas vezes não as são) adeus, me enrolo toda. Junte isso a insegurança, resultado paguei muito MICO!


Rasguei luva, me cortei com o bisturi, derramei iodo, peguei material não estéril com luvas estéreis, passei um tempão pra fazer sutura de pele. Depois de tudo, o Gê (cirugião) perguntou: 

- Tá tudo bem Morango (nome de batismo)?
- Marrom
- Que que ce tem?
-Além da insegurança? Não consigo entender nada do que vocês dizem! sou malacabada das "zureias" também.

O bixim querendo ajudar, passou a gritar. Vale ressaltar que tinha um som ligado (vi a luzinha ligada). O detalhe, a medida que ele gritava, falava rápido demais. E eu continuava a não entender nadica de nada. Acho que ele percebeu, né?! Como a comunicação verbal não estava funcionando, resolvemos criar "gestos fixos" para facilitar a nossa vida. E deu muito certo! A tarde foi tranquila, continuamos de máscara e o som ligado.E mais uma vez, prova-se que com boa vontade tudo se resolve! E também que convivemos muito bem se respeitarmos as diferenças de cada um. 

Beijos protéticos :***

domingo, 11 de julho de 2010

Cara nova e mais notícias!

Oi gente! Tava cansada daquele layout e do modo "mais ou menos" como as coisas seguiam. Resolvi levantar a bunda da cadeira e fazer alguma coisa. O caminho certo? Hum... esse ainda não sei, mas não posso ficar parada. Estou muito feliz, tudo está fluindo. Está é a palavra de ordem ou desordem, como desejar: FLUIR! Tenho muitas novidades, mas vou soltando aos pouquinhos. Aconteceu uma coisa engraçada essa semana, quer dizer sempre acontece. Estava de saida, quando mamãe pergunta:
 
 - O que foi isso?
 - Isso o que?
 - Sua perna!
 
Nesse momento tensão geral. Os músculos contrairam involuntariamente e me subiu um frio pela espinha. Ao olhar o local, tinha uma mega mancha roxa. Relaxei! Essas manchas são comuns nas minhas pernas, não tô dizendo normal, apenas comum. Atualmente tem umas seis delas! Atribuo cada uma delas, a perda de sensibilidade nas pernas. Não sinto absolutamente nada, nem noto a pancada, mas a prova do crime é roxinha roxinha. Outra causa dessas amigas indesejáveis pode ser o remédio que uso para dormir. Sempre levanto a noite, não me pergunte, não lembro de nada... Já cai e não dai a mínima bola. Quando fui perceber, o local estava bem machucado. Agora estou mais ligada, quando caio faço uma inspeção geral, pra ter certeza que estou inteira. Tento não bater em nada, o que é quase impossivel, um bêbado se equilibra melhor.
 
 
A prova do crime e responsável pelo post! Agora é sério pessoal! Tem que se ligar, as vezes, podemos nos machucar de verdade!

Beijos protéticos :****